A vida não tem lógica! Tem lógica?

  • 5 jul

0-1 X aqui-agora

A analogia entre a lógica binária, representada pelos dígitos 0 e 1, e a experiência humana é profundamente reveladora ao contemplar a complexidade da vida. No domínio da lógica e da computação, 0 e 1 não são meros números, mas sim os alicerces da codificação digital, representando a dualidade de estados: presença ou ausência, verdadeiro ou falso. Essa dualidade, em sua forma mais pura, é a essência da lógica computacional, que é fundamental para o desenvolvimento e funcionamento da tecnologia contemporânea e agradecemos por isso!

Essa simplicidade binária, no entanto, contrasta com a vastidão e a complexidade da experiência humana. 

Enquanto 0 e 1 delineiam os limites extremos de um sistema lógico, a vida se desdobra em um espectro contínuo de experiências e nuances que resistem à categorização binária. A vida humana, em sua rica tapeçaria de emoções, pensamentos e eventos, transcende a “rigidez” da lógica binária, operando em um domínio onde os extremos são meros pontos de referência (partida e chegada, inícios e fins, talvez), e não definições absolutas da existência

No entanto, ao contrário da clareza e da previsibilidade do mundo binário, a vida humana ocorre “entre zero e um”!Num espaço onde se manifesta a complexidade, a nuance e o imprevisível. 

Este espaço é repleto de variações contínuas, semelhantes ao conceito matemático de números reais, que existem entre quaisquer dois inteiros. Aqui, cada momento é único e irrepetível, carregado de significados que vão além da capacidade de previsão e explicação da lógica binária.

Enquanto a lógica pode explicar certos padrões ou tendências, a essência da vida mental e emocional reside naquilo que é fluido, dinâmico e frequentemente imprevisível. 

Assim como os números reais preenchem o continuum entre 0 e 1, as experiências humanas preenchem o espaço entre os extremos da lógica, revelando uma riqueza de possibilidades que a rigidez binária poderá abarcar apenas a posteriori!

Eu faço um convite para que possamos partir do nada, nem do 1 e nem do 0, do papel em branco. Configuremos que 1 e 0 são resultados lógicos de algo que os antecede. O “haja”. Temos o famoso “haja luz”, ou os que você puder lembrar, mas o “haja” é a liberdade, a coragem, o ímpeto, o impulso, a vontade de viver. 

O “haja” é a força origem que vai nutrir motores de esforços que irão se basear em 1 e 0 para se manterem em funcionamento, mas como disse anteriormente, são resultados de uma energia efetivamente criativa e maior. 

Digo sempre “que é entre o 1 e o 0 que a vida acontece” e com a minha base de estudos em lógica de programação, posso dizer que muito se omite os “if”, “else”, “then” que são usados para construir os algoritmos, uma imensa cadeia de hipóteses que tentam manter as coisas entre o 1 e o 0. Essas hipóteses da lógica de programação, quando trazidas para a vida real, nada mais são do que o grande barato da beleza de estar vivo. Os imprevistos, imperfeitos, inconstantes e incontroláveis. Afinal, se não for essa a vantagem de ser racional, o que resta é sermos os únicos seres que possuem a certeza da finitude de suas vidas.

Muito digo que a lógica é covarde, paralisante e acomodada, assim como o 1 e o 0, que nada mais são pontos de acomodação dos seus intervalos. Ou se está num, ou se está no outro. Acho do fundo do meu coração que o grande barato está no haja e fazer haver. 

Digo que gênio é quem cria o ambiente para as pessoas poderem entrar e serem quem são. Para mim, definitivamente, toda criança é um gênio na arte de propor. Seja a proposta, crie os ambientes e faça o seu haja.

Poucas são as pessoas que encaram um papel em branco, tenho a característica de ser uma delas e trato isso com muita honradez e responsabilidade. Não é algo para qualquer pessoa, mas para quem é, não se pode deixar de ser. Ter a capacidade, oportunidade e decidir não fazer é o que eu chamo de omissão opressora. O seu não fazer irá punir as oportunidades de muitas pessoas.

Encerro com uma frase que ouvi da Venus Williams – Tenista da WTP, ela diz: “o que você faria se não estivesse com medo? Faça.” 

Portanto, embora 0 e 1 possam explicar o passado e/ou “prever” o “futuros”, estão longe de, se quer, resvalar a beleza do instante presente.

A vida, em sua essência, ocorre nesse intervalo contínuo e vibrante, onde cada momento é, em si, uma presentificação de passados, possibilidades de futuros, mas, ainda mais fundamentalmente, uma manifestação única da existência aqui-agora! 

Entre 0 e 1, tem-se o vivenciar-se

Aproveite cada instante!

Ass: Ricardo REuters

Danilo Suassuna

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