Gestalt-terapia no Hospital: Como Integrar Corpo e Mente no Processo de Cura?

  • post publicado em 13/02/25 às 15:11 PM
  • Tempo estimado de leitura: 4 minutos

 

Gestalt-terapia no Hospital: Como Integrar Corpo e Mente no Processo de Cura?

A Gestalt-terapia é uma abordagem psicoterapêutica que enfatiza a compreensão holística do ser humano, considerando a integração entre aspectos emocionais, físicos e sociais. No ambiente hospitalar, essa perspectiva se torna especialmente relevante, pois permite um olhar ampliado sobre o adoecimento, indo além dos sintomas físicos e abordando também as dimensões psicológicas e psicossomáticas da experiência do paciente.

Diante do aumento das doenças psicossomáticas e da necessidade de abordagens terapêuticas mais humanizadas na área da saúde, a Gestalt-terapia surge como uma alternativa valiosa para a promoção do bem-estar e da recuperação integral dos pacientes. Mas como essa abordagem pode ser aplicada no contexto hospitalar? Quais são seus principais benefícios e desafios?

Neste artigo, exploramos as intervenções psicossomáticas da Gestalt-terapia no ambiente hospitalar, destacando suas bases teóricas, suas aplicações práticas e sua relevância na assistência à saúde.


A Gestalt-terapia e o Modelo Biopsicossocial

Tradicionalmente, a medicina ocidental adotou um modelo biomédico, que foca exclusivamente na doença e em seus aspectos físicos. No entanto, essa abordagem demonstrou limitações para compreender a complexidade do adoecimento humano, pois desconsidera o impacto das emoções, das relações sociais e da história de vida do paciente no desenvolvimento de doenças.

Com a evolução dos estudos em saúde, surgiu o modelo biopsicossocial, proposto por George Engel (1977), que integra os fatores biológicos, psicológicos e sociais na compreensão da saúde e da doença. Esse modelo revolucionou o campo da saúde ao reconhecer que o sofrimento humano não pode ser reduzido apenas a disfunções orgânicas, mas deve ser analisado em uma perspectiva mais ampla (Engel, 1977).

A Gestalt-terapia se alinha perfeitamente a essa visão, pois entende o indivíduo como um ser em constante interação com seu meio. No hospital, essa abordagem permite que o psicólogo trabalhe em equipe multidisciplinar, auxiliando no tratamento de pacientes que enfrentam processos de adoecimento complexos, como doenças crônicas, dor persistente e transtornos psicossomáticos (pepsic.bvsalud.org).


Intervenções Psicossomáticas na Gestalt-terapia Hospitalar

A psicossomatização ocorre quando conflitos emocionais não elaborados encontram expressão no corpo, gerando sintomas físicos sem uma causa orgânica aparente. Doenças como gastrite nervosa, enxaqueca, hipertensão e fibromialgia são exemplos de condições que podem estar associadas a fatores emocionais.

A Gestalt-terapia, ao enfatizar o contato com o presente e a integração entre mente e corpo, busca ajudar o paciente a tomar consciência das conexões entre suas emoções e seus sintomas físicos. As principais intervenções nesse contexto incluem:

1. Ajustamento Criativo

Esse conceito refere-se à capacidade do indivíduo de adaptar-se às situações de vida de maneira única e criativa. No contexto hospitalar, muitos pacientes desenvolvem padrões de enfrentamento que podem ser disfuncionais, como a negação da doença ou o isolamento emocional.

O papel do terapeuta gestáltico é auxiliar o paciente a reconhecer e modificar esses padrões, incentivando formas mais saudáveis de lidar com o adoecimento (periodicos.ufpa.br).  pepsic.bvsalud.org

2. Ampliação do Contato e Promoção da Awareness

O contato é um dos princípios centrais da Gestalt-terapia. No ambiente hospitalar, ele se refere à capacidade do paciente de estar presente em sua experiência, reconhecendo seus sentimentos e sensações corporais sem evitá-los.

A awareness, ou consciência ampliada, é promovida por meio de exercícios que ajudam o paciente a perceber como seus pensamentos, emoções e sintomas físicos estão interligados. Isso pode ser feito através de:

  • Técnicas de respiração e relaxamento para perceber tensões corporais.
  • Uso de perguntas fenomenológicas: O que você sente agora? Onde no seu corpo percebe essa sensação?
  • Estímulo à expressão emocional, permitindo que sentimentos reprimidos sejam elaborados (periodicos.ufpa.br). pepsic.bvsalud.org

3. Prática Dialógica e Humanizadora

No ambiente hospitalar, o paciente muitas vezes se sente reduzido a um diagnóstico, perdendo sua identidade e autonomia. A Gestalt-terapia busca resgatar sua subjetividade, oferecendo um espaço de escuta e acolhimento.

A relação terapêutica é baseada no diálogo genuíno, no qual o paciente é incentivado a expressar seus medos, angústias e expectativas em relação ao tratamento. Esse processo favorece uma recuperação mais humanizada, pois reduz sentimentos de solidão e desamparo (dialnet.unirioja.es). pepsic.bvsalud.org

Benefícios da Gestalt-terapia no Contexto Hospitalar

A integração da Gestalt-terapia ao ambiente hospitalar pode trazer diversos benefícios para pacientes, profissionais de saúde e instituições. Entre os principais, destacam-se:

  1. Promoção da Saúde Integral: Ao considerar o paciente em sua totalidade, a Gestalt-terapia contribui para uma recuperação mais ampla, indo além do controle dos sintomas físicos e abordando também os aspectos emocionais e psicológicos do adoecimento.
    pepsic.bvsalud.org
  2. Empoderamento do Paciente: A abordagem gestáltica estimula o indivíduo a assumir um papel ativo em seu processo de cura. Ao reconhecer suas necessidades e recursos internos, o paciente se torna mais participativo e engajado no tratamento.
    pepsic.bvsalud.org
  3. Melhoria na Qualidade de Vida: O trabalho com aspectos psicossomáticos possibilita a redução de sintomas físicos associados ao sofrimento emocional, como dores crônicas, distúrbios gastrointestinais e insônia. Isso resulta em um bem-estar geral mais equilibrado.
    pepsic.bvsalud.org

Benefícios da Gestalt-terapia no Contexto Hospitalar

A integração da Gestalt-terapia ao ambiente hospitalar pode trazer diversos benefícios para pacientes, profissionais de saúde e instituições. Entre os principais, destacam-se:

1. Promoção da Saúde Integral

Ao considerar o paciente em sua totalidade, a Gestalt-terapia contribui para uma recuperação mais ampla, indo além do controle dos sintomas físicos e abordando também os aspectos emocionais e psicológicos do adoecimento.

2. Empoderamento do Paciente

A abordagem gestáltica estimula o indivíduo a assumir um papel ativo em seu processo de cura. Ao reconhecer suas necessidades e recursos internos, o paciente se torna mais participativo e engajado no tratamento.

3. Melhoria na Qualidade de Vida

O trabalho com aspectos psicossomáticos possibilita a redução de sintomas físicos associados ao sofrimento emocional, como dores crônicas, distúrbios gastrointestinais e insônia. Isso resulta em um bem-estar geral mais equilibrado.


Desafios e Considerações Finais

Embora a Gestalt-terapia tenha muito a contribuir para a humanização dos cuidados em saúde, sua aplicação no contexto hospitalar ainda enfrenta desafios, tais como:

  • Falta de reconhecimento institucional, uma vez que a psicoterapia hospitalar ainda é dominada por abordagens mais tradicionais.
  • Necessidade de formação especializada, pois atuar no hospital exige conhecimento sobre a interação entre fatores psicológicos e fisiológicos.
  • Resistência de algumas equipes médicas, que podem não compreender a importância da psicoterapia no tratamento de doenças físicas.

Apesar dessas dificuldades, a Gestalt-terapia tem se mostrado uma ferramenta valiosa na abordagem psicossomática e na promoção da saúde integral. Sua ênfase na consciência corporal, no contato autêntico e na autorresponsabilidade favorece um tratamento mais completo e humanizado para pacientes hospitalizados.

Diante desse cenário, qual sua opinião sobre a atuação da Gestalt-terapia nos hospitais? Você acredita que a integração entre corpo e mente pode acelerar processos de cura? Deixe seu comentário e compartilhe sua visão sobre o tema!

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Danilo Suassuna
Danilo Suassuna

Dr. Danilo Suassuna Martins Costa CRP 09/3697 CEO do Instituto suassuna, membro fundador e professor do Instituto Suassuna ; Psicoterapeuta há quase 20 anos, é psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás(PUC-GO);

Especialista em Gestalt-terapia, Doutor e Mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2008) possui graduação em Psicologia pela mesma instituição. Pós-Doutorando em Educação;

Autor dos livros:

  • Histórias da Gestalt-Terapia – Um Estudo Historiográfico;
  • Renadi - Rede de atenção a pessoa idosa;
  • Supervisão em Gestalt-Terapia; Teoria e Prática;
  • Supervisão em Gestalt-Terapia: O cuidado como figura;

Organizador do livro Supervisão em Gestaltt-Terapia, bem como autor de artigos na área da Psicologia; Professor na FacCidade.

Acesse o Lattes: http://lattes.cnpq.br/8022252527245527