As Contribuições de Celana Cardoso Andrade para a Compreensão da Gestalt-terapia
A Gestalt-terapia é uma abordagem psicoterapêutica que enfatiza a experiência presente, a ampliação da consciência (awareness) e o contato autêntico com o mundo. A psicóloga e pesquisadora Celana Cardoso Andrade tem se destacado por suas significativas contribuições nesse campo, explorando diversos aspectos teóricos e práticos da Gestalt-terapia. Neste artigo, aprofundaremos algumas de suas principais publicações e como elas enriquecem a compreensão dessa abordagem terapêutica.
1. “Sentidos da Psicoterapia: Teoria e Prática da Gestalt-terapia” (2019)
Em colaboração com Adriano Furtado Holanda, Andrade organizou a obra “Sentidos da Psicoterapia: Teoria e Prática da Gestalt-terapia”, publicada em 2019. Este livro tem como objetivo investigar a vivência do cliente no processo psicoterapêutico, de acordo com sua própria perspectiva, utilizando a Gestalt-terapia como referencial teórico e a Fenomenologia como abordagem metodológica. A obra é dividida em seis capítulos, abordando temas como a relação terapêutica, o processo de awareness e a importância do contato na terapia.
A necessidade de aprofundamento do conhecimento acerca da contribuição da psicoterapia na constituição do indivíduo como sujeito, ator e autor de sua vida é evidente. Esta obra teve como objetivo investigar a vivência do cliente no processo psicoterapêutico, de acordo com sua própria perspectiva. O ponto de partida teórico é a Gestalt-terapia; e a Fenomenologia, a sua abordagem metodológica. O livro divide-se em seis capítulos.
2. “A Sexualidade Feminina pela Perspectiva da Gestalt-terapia: Uma Pesquisa Qualitativa-Fenomenológica” (2011)
No artigo “A Sexualidade Feminina pela Perspectiva da Gestalt-terapia: Uma Pesquisa Qualitativa-Fenomenológica”, Andrade, em parceria com Cínthia Vieira Moller, investiga como mulheres vivenciam sua sexualidade e como a psicoterapia na abordagem gestáltica pode influenciar essa experiência. A pesquisa utilizou o método fenomenológico, realizando entrevistas semidirigidas com três mulheres que eram clientes de Gestalt-terapeutas. Os resultados destacam a importância da terapia na promoção do autoconhecimento e na ressignificação da sexualidade feminina.
A sexualidade tem sido tema de recorrentes discussões em diversos meios, incluindo a psicologia. Compreender como a mulher vivencia esse aspecto de sua vida, e como a psicoterapia na abordagem gestáltica pode influenciar sua experiência é o que se busca com esta pesquisa. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa com uso do método fenomenológico, segundo as formulações de Amedeo Giorgi (1985). Foram feitas entrevistas semidirigidas com três mulheres, clientes de Gestalt-terapeutas.
3. “Estudo de Caso em Gestalt-terapia: Leituras Fenomenológicas do Desenho Infantil” (2018)
Em colaboração com Mariana Vieira Pajaro, Andrade publicou o artigo “Estudo de Caso em Gestalt-terapia: Leituras Fenomenológicas do Desenho Infantil”, que aborda o desenho infantil como um recurso revelador da criança no contexto terapêutico. O estudo ilustra o processo psicoterapêutico de um menino de 6 anos por meio da leitura fenomenológica de sete desenhos realizados por ele ao longo dos atendimentos. A pesquisa reflete sobre as contribuições desse caso para a compreensão e intervenção na clínica infantil sob a perspectiva da Gestalt-terapia.
O presente estudo aborda o desenho infantil como um recurso revelador da criança. Tem por objetivo ilustrar o processo psicoterapêutico de um menino de 6 anos por meio da leitura fenomenológica de sete desenhos realizados por ele ao longo de seus atendimentos. Ademais, pretende refletir sobre as contribuições desse caso para a compreensão e intervenção na clínica infantil na perspectiva da Gestalt-terapia.
4. “Carta a uma Jovem Psicoterapeuta” (2010)
No ensaio “Carta a uma Jovem Psicoterapeuta”, Andrade oferece reflexões direcionadas a terapeutas em início de carreira. Ela aborda sentimentos comuns como esperança, medo e incerteza, enfatizando a importância de não pular etapas no processo de formação teórica, metodológica e pessoal. Andrade ressalta que tornar-se terapeuta é um caminho que exige paciência, autoconhecimento e disposição para o encontro e o contato, elementos essenciais na relação terapêutica.
A autora destaca que sentimentos como esperança, medo e incerteza são comuns nesse início de jornada. Ela enfatiza a importância de não pular etapas no processo de formação teórica, metodológica e pessoal, ressaltando que tornar-se terapeuta é um caminho que exige paciência, autoconhecimento e disposição para o encontro e o contato, elementos essenciais na relação terapêutica.
5. “A Vivência do Cliente no Processo Psicoterapêutico: Um Estudo Fenomenológico na Gestalt-terapia” (2007)
Em sua dissertação de mestrado intitulada “A Vivência do Cliente no Processo Psicoterapêutico: Um Estudo Fenomenológico na Gestalt-terapia”, Andrade investigou a experiência dos clientes durante a psicoterapia sob a perspectiva da Gestalt-terapia. Utilizando uma abordagem fenomenológica, ela entrevistou três clientes que passaram por mais de seis anos de terapia individual e pelo menos dois anos de terapia em grupo. Os resultados indicaram que a psicoterapia foi vivenciada de maneira positiva, levando os clientes a alcançar autoconhecimento, resgatar a autenticidade e estabelecer relações mais saudáveis. Eles também desenvolveram habilidades de dialogar, viver no momento presente e ressignificar situações inacabadas.
6. “A Escuta Fenomenológica Comprometida pela Ótica Religiosa de uma Gestalt-terapeuta” (2009)
No artigo “A Escuta Fenomenológica Comprometida pela Ótica Religiosa de uma Gestalt-terapeuta”, escrito em parceria com Jackeline Paulla Tavares, Andrade explora como a perspectiva religiosa de uma terapeuta pode influenciar sua prática clínica. O estudo discute os desafios de manter uma escuta fenomenológica genuína quando crenças pessoais podem interferir no processo terapêutico, ressaltando a necessidade de consciência e autocrítica por parte do terapeuta.
Conclusão
As publicações de Celana Cardoso Andrade oferecem contribuições valiosas para a compreensão e prática da Gestalt-terapia. Seus estudos aprofundam temas como a experiência do cliente, os desafios enfrentados por terapeutas iniciantes, a vivência da sexualidade feminina, a interpretação de desenhos infantis no contexto terapêutico e a influência de crenças pessoais na prática clínica. Ao adotar abordagens fenomenológicas e qualitativas, Andrade enriquece o campo da Gestalt-terapia, promovendo reflexões profundas sobre a relação terapêutica e o desenvolvimento pessoal.