​​5 dicas sobre uso de álcool e drogas

Atender pessoas que sofrem com o uso abusivo de álcool e outras drogas é um dos maiores desafios da clínica contemporânea. Mais do que tratar sintomas, o psicólogo precisa lidar com histórias de vida complexas, vínculos frágeis, recaídas e exclusão social. O livro Gestalt-Terapia sobre o uso do álcool e outras drogas (Juruá Editora) nos mostra que, a partir da Gestalt-terapia, é possível desenvolver uma prática clínica mais ética, sensível e transformadora.

A seguir, apresentamos 5 dicas essenciais para psicólogos que desejam ampliar seu olhar e sua atuação nesse campo:

1. Compreenda a adicção como ajustamento criativo

Na Gestalt-terapia, entendemos que o uso de substâncias pode ser uma resposta criativa do organismo às dificuldades do campo relacional. Para muitas pessoas, a droga cumpre funções importantes: aliviar a dor, pertencer a um grupo, sobreviver a contextos hostis.

👉 Dica prática: pergunte-se não apenas “por que o cliente usa?”, mas “para quê esse uso tem servido em sua vida?”. Essa mudança de perspectiva abre caminho para novos ajustamentos mais saudáveis.

2. Abandone a postura moralizante

O julgamento e a moralização criam barreiras no contato terapêutico. A Gestalt-terapia convida o psicólogo a sustentar uma presença autêntica e não julgadora, reconhecendo o cliente em sua totalidade, e não reduzindo sua identidade ao uso de drogas.

👉 Dica prática: trabalhe a escuta sem rótulos. Evite expressões como “fracasso”, “fraqueza” ou “incapacidade”. Foque em awareness e responsabilidade.

3. Envolva o campo relacional: família e comunidade

O sofrimento relacionado ao álcool e outras drogas nunca é apenas individual. Ele envolve família, parceiros, escola, trabalho e comunidade. A clínica precisa reconhecer que o problema emerge no campo de relações, e não apenas no sujeito isolado.

👉 Dica prática: sempre que possível, envolva familiares, parceiros e redes de apoio no processo terapêutico. A mudança acontece no campo, e não apenas no consultório.

4. Trabalhe com recaídas como parte do processo

Na clínica das adicções, recaídas são comuns e não devem ser vistas como “falha”, mas como parte do percurso. A Gestalt-terapia ajuda o psicólogo a sustentar o contato mesmo diante da repetição, transformando cada recaída em oportunidade de awareness e aprendizado.

👉 Dica prática: em vez de punir ou reprovar, ajude o cliente a perceber o que desencadeou a recaída e como pode reorganizar-se de maneira diferente.

5. Seja presença autêntica e consistente

O maior recurso terapêutico não é a técnica, mas a presença viva do terapeuta. Pessoas em uso abusivo de substâncias muitas vezes experimentam abandono, rejeição e descrédito. O psicólogo precisa ser alguém que permanece, que acredita e que oferece suporte para a reconstrução.

👉 Dica prática: mais do que convencer o cliente a mudar, esteja disponível para caminhar com ele, reconhecendo suas dores e também suas potências.

Conclusão: a clínica gestáltica como espaço de transformação

O trabalho do psicólogo frente ao álcool e às drogas é árduo, mas também profundamente transformador. O livro Gestalt-Terapia sobre o uso do álcool e outras drogas nos lembra que não estamos falando de “casos difíceis”, mas de vidas reais em busca de novos caminhos de contato.

E se você deseja aprofundar seus conhecimentos e práticas nesse campo, o próximo passo é investir em sua formação e também conhecer projetos que ampliam a atuação da psicologia na sociedade.

👉 Conheça a Pós-Graduação em Psicologia Clínica: Abordagem Gestáltica Ampliada, do Instituto Suassuna.

Um curso reconhecido pelo MEC, 100% online e ao vivo, que une teoria, prática e supervisão, preparando psicólogos para atuarem de forma atuante, criativa e ética em diferentes contextos clínicos — inclusive no trabalho com adicções, famílias, infância, adolescência e luto.

👉 Conheça também o projeto Todos Cuidados, que conecta psicólogos e clientes em um modelo inovador de atenção integral à saúde mental, oferecendo suporte acessível, ético e contínuo.

👉 E, para famílias e cuidadores, siga o projeto Falar para seu filho ouvir, que traz conteúdos práticos e reflexivos sobre comunicação, vínculos e desenvolvimento infantil.

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⚠️ Nota editorial: Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educacional, produzido por profissionais de Psicologia credenciados. Não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento psicológico individualizado. Em caso de sofrimento psíquico, procure um psicólogo ou serviço de saúde mental.