Ter ou não ter foco

  • 21 abr

A meu ver a palavra foco vem sendo mal utilizada em nossa sociedade. Às vezes, acaba por tolher uma visão ampliada e contextual, passando a uma ideação de se olhar em uma única direção, quase que como se utilizando de uma tapa de cavalo (me desculpem o termo)

Gostaria de compartilhar com você, nesse momento, a ideia, apresentada no livro O essencialista. Sob o lugar que observo e compreendo, trás uma questão muito importante da abordagem Gestáltica que é a temática da figura e fundo.

Essa perspectiva, aponta para um referencial teórico que integra aspectos da Teoria da Gestalt. Nesta perspectiva parte da ideia de que o objeto percebido, depende sempre de uma organização interna, feita pelo indivíduo, com os dados que lhe são apresentados pelos sentidos.

Sem aprofundar muito em teoria especifica, a ideia de Figura-fundo aponta para a ideia de que quando se observa uma figura formada, por exemplo, por um círculo branco envolto por um fundo escuro, diz-se que a área inteira tem o caráter de uma figura. Sendo então, a área que o rodeia, de fundo. Asch (1952/1960, p. 71): “A figura possui o caráter de coisa; … Esta é de fato, uma contribuição extremamente interessante que a pessoa que percebe traz para o material. ”

Ao saber deste conceito, lhe convido a compreender o livro, a partir desse olhar!

O Autor, Mckeown, afirma a necessidade de sermos essencialistas.

Sob essa ótica que voz falo, quando somos não essencialistas, temos que fazer tudo, tudo é importante, significa para nós, que a pessoa não consegue saber quais são suas prioridades. Na obra tem uma citação que diz: “se não estabelecermos prioridade, alguém o fará por nós”. Ou seja, se você não souber estabelecer, para você, o que e mais importante, não consegue então, compreender ou não consegue eleger o que é figura para você, neste momento. Desse modo, o indivíduo que não sabe eleger a figura ou ter clareza do que é a figura naquele momento, vai achar que tem que fazer tudo, que tudo é importante e que tem que dar conta de fazer tudo.

Por outro lado, a partir do momento em que o indivíduo consegue eleger a figura, ter clareza do que faz ou não sentido em dado momento, acaba por alcançar que denominamos de awareness. Esta consciência, segundo Yontef (1993) é a apreensão, com todas as possibilidades de nossos sentidos, da ocorrência do mundo dos fenômenos dentro e fora de nós. Esta apreensão se dá no presente, no aqui-e-agora. Embora a awareness seja sempre presente, o objeto dela pode pertencer a um outro tempo e espaço.

Conseguir perceber-se no momento aqui-agora, favorece a relação do indivíduo com o mundo. Desse modo a awareness favorece o aprendizado da pessoa no que se refere a aprender a fazer escolhas.

A partir do momento em que eu faço escolhas ou elejo a figura mais importante no meu campo naquele momento, segundo a teoria de Kurt Lewin, tem-se então uma clareza maior de todo nosso processo de escolha. Assum, desmistifica-se a sensação de estar perdido, ou de ter que dar conta de tudo sempre.

Por fim, de modo resumido, a indicação deste livro, O Essencialista, se faz pertinente para que uma leitura completa seja feita de si mesmo de modo a se perceber em sua dinâmica de figura-fundo principalmente seus processos de escolha, bem como sua a capacidade de tomada de decisão no momento presente, aqui e agora.

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